O Brasil está sem graça. Temos a vulgaridade como a regra do dia-a-dia. A incompetência e a desonestidade como assunto de conversas aborrecidas. Gente inculta e maçante é aclamada e bajulada. Aliás, é uma forma de promoção conhecida. Um elogia o outro e todos são elogiados. Aparecem na televisão, cheios de pose, disparando besteiras. Escrevem colunas, até livros, com títulos pomposos e, pior, conseguem vender uma meia dúzia aos incautos.

Em suma, uma falta de classe e uma chatice apavorantes !

Na minha Profissão o Advogado perdeu-se. Independência, altivez, destemor, ética, obediência ao Estatuto, respeito ao Colega, ao Juiz, ao Cliente, lealdade, são coisas do passado, qualidades de uns poucos, formados e educados em outros tempos. Os Escritórios de Advocacia se intitulam “ corporate centers  ”  ( sério; tem um no Rio de Janeiro ). Não se vê viva alma. Não se ouve uma voz. Nem uma boa risada. Todo mundo colando do computador, imitando o americano, em busca de uma expressão em inglês para referir o que o vernáculo define: time sheet, merger, equity etc., etc.

Uns cafonas e, lastimável, na maior parte das vezes sem um título.

Enganadores.

Aquele Advogado, que com sua simples presença impõe respeito ?  Uma raridade. O Advogado culto, apreciador das coisas belas da vida – inclusive o direito – capaz de redigir uma petição, ou um contrato, em português  escorreito ?  Outra raridade.

É o tal negócio, a Advocacia virou comércio. “ Corporate center  ” ! O causídico e o law firm, ambos de baixa categoria, usam assessor de imprensa,  “ marqueteiros ”, correspondem-se com o jornalista de notinhas e fofocas, em troca de uma referência ridícula.

Saberiam eles de outras coisas, estes mascates, biscateiros, do direito  ? Certamente não !

Uma dica para eles, então. Em Paris está em exposição, na Fundação Louis Vuitton, a coleção Courtauld, constituída de mais de cem quadros de impressionistas como Renoir, Monet, Manet, Van Gogh, Degas, Cézanne, Seurat …  As obras primas foram adquiridas pelo casal Courtauld no princípio do século XX e raramente são expostas em outros museus que não o Home House, em Londres. Apreciar as obras de arte permitirá aos integrantes dos  “ corporate centers ”, quem sabe, perceber o gênio de Degas:

“ Jamais il n’y eut d’art moins spontané que le mien. Ce que je fais est le résultat de la réflexion et de l’étude des grands maîtres. De l’inspiration, de la spontanéité, du tempérement, je ne sais rien ”.

Ou, talvez, notar como Cézanne olhava a natureza, e a retratava:

“ Par le cylindre, la sphère et le cone, le tous mis en perspective ”.

Duas visões distintas de dois dos mestres do impressionismo. Ambas deslumbrantes, que nos encantam e enriquecem, espantando a mesmice, os chatos e os tempos sem graça.